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Quem gasta errado arrecada destruindo a economia


Por Redação Rádio Base

A Dívida Pública Federal (DPF) brasileira atingiu R$ 7,51 trilhões em março de 2025, com um incremento de R$ 16 bilhões em relação ao mês anterior, conforme relatório do Tesouro Nacional. Esse crescimento reflete uma trajetória ascendente, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), podendo alcançar 86,7% do PIB até o final de 2025, conforme estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Entre os fatores explicativos, destacam-se os déficits primários persistentes, o crescimento econômico moderado e os choques macroeconômicos globais. Essa elevação não decorre apenas da necessidade de financiamento das contas públicas, mas também da apropriação contínua de juros, que somou R$ 68,3 bilhões somente no mês de abril.

Paralelamente, o custo médio da dívida manteve-se em patamares elevados. O custo médio da DPF, acumulado em 12 meses, elevou-se de 11,57% em fevereiro para 11,70% em março de 2025, enquanto o custo das novas emissões subiu de 11,92% para 12,61%. Esses aumentos refletem a política monetária contracionista e a elevação da taxa Selic, que alcançou 13,25% em 2024 e atualmente está em 14,75%, apontando para um cenário ainda mais desfavorável no próximo ano. A apropriação de juros adicionou R$ 762,4 bilhões ao estoque da dívida em 2024, evidenciando o peso financeiro dos encargos. Esse cenário pressiona o orçamento público, reduzindo a disponibilidade de recursos para investimentos em áreas essenciais, como educação e saúde.

Em maio de 2025, o governo anunciou um aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de crédito e remessas internacionais, com o objetivo de arrecadar R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026. Contudo, a medida enfrentou críticas do mercado financeiro, de setores produtivos e de consumidores, por afetar diretamente o crédito, as transações internacionais e a previsibilidade das operações financeiras. Como resultado, houve um recuo parcial, com a manutenção de isenções em algumas alíquotas, como nas aplicações em fundos no exterior.

No dia 9 de junho, foi apresentada a proposta de tributação dos rendimentos das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), medida que adiciona uma camada de complexidade e instabilidade ao sistema financeiro nacional. Criadas como instrumentos de fomento a setores estratégicos e historicamente isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, essas letras têm sido fundamentais para o financiamento do setor imobiliário e agropecuário. Tais decisões refletem tentativas do governo de compensar déficits fiscais, mas podem elevar o custo do crédito e desincentivar investimentos privados. No clássico trade-off entre arrecadação e crescimento econômico, o governo, mais uma vez, opta por priorizar o aumento da arrecadação.

Em paralelo às tentativas de ampliar receitas por meio do aumento de tributos, a expansão dos gastos públicos não foi contida. Programas sociais, folha de pagamento do funcionalismo, subsídios e despesas discricionárias cresceram acima da inflação e sem contrapartida clara em termos de produtividade ou de qualidade na prestação dos serviços públicos. Essa expansão é favorecida pela adoção do novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos por uma regra mais flexível, permitindo o crescimento real das despesas. O resultado é um desequilíbrio estrutural persistente entre receitas e despesas, que pressiona a dívida pública e gera desconfiança nos agentes econômicos. A ausência de reformas estruturais e de compromissos firmes com a responsabilidade fiscal agrava ainda mais esse cenário.

O Brasil já apresenta uma das mais elevadas cargas tributárias entre as economias emergentes, superando 33% do PIB, mas os indicadores de saúde, educação, segurança e infraestrutura permanecem estagnados ou em retrocesso. Essa discrepância entre arrecadação e retorno à população compromete a confiança nas instituições e alimenta um ciclo de informalidade, sonegação e descrença na política econômica. O modelo atual penaliza o cidadão produtivo, reduz a competitividade empresarial e inibe o investimento, tornando imperativo um debate sério sobre a racionalização do Estado e a eficiência do gasto público.

O excesso de impostos, combinado com a má alocação de recursos, estrangula a sociedade, reduzindo a renda disponível e limitando o consumo e o investimento. Em outras palavras, tributar as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Imobiliário (LCI) significa retirar recursos do setor produtivo para financiar uma máquina pública que, historicamente, tem contribuído para o retrocesso econômico e a precariedade dos serviços prestados à população. Mais grave, contudo, é a crescente percepção de que esse mecanismo de drenagem fiscal não possui limites claros, alimentando o sentimento de que a sociedade brasileira será progressivamente empobrecida.

Instagram: @phdbertoncello

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 A apresentadora e Rainha dos Pets, Mary Rios começou sua carreira na TV como protagonista do programa “Fora de Casa” contando sobre sua vida no México, exibido no canal GNT e Globo Internacional e do programa “Mundo segundo os brasileiros”, exibido pela canal Bandeirantes (BAND). Em 2013, de volta ao Brasil, fez cenografias de estúdio para um programa de entrevistas na Alpha Channel TV, ainda neste ano,foi convidada, pelo mesmo canal, a apresentar o quadro “Design 360 Graus com Mary Rios” dando dicas de decoração, apresentando empresas do ramo e lojas parceiras. Iniciou seu programa “360 Graus by Mary Rios”, em 2016, na TV CIDADE, em Osasco. O programa, em seguida, migrou para a Rede TVO, com o “360 Graus by Mary Rios” – 2º temporada, em Alphaville – Barueri. Hoje, unindo sua paixão por animais e sua expertise como apresentadora, apresenta o projeto: Mascotas e Cia. Programa de Pets Famosos e Famosos com seus Pets, abordando tudo sobre o mundo Pet.  Mary Rios...